sábado, 24 de julho de 2010

Confidência


A vida é feita de lados bons e ruins, eu sei que você sabe disso, afinal, quantas e quantas vezes não passou por isso também. Acho que consegui administrar isso ao final do show da cantora mais iluminada que conheci até hoje.Desde o inicio, lá atrás, martelei, compre a idéia, briguei, lutei, conversei e finalmente quando vi em cima do palco eu chorei. Era a realização maior do meu trabalho, conseguir trazer Nila Branco para o palco do Café Paon, mas ao mesmo tempo senti a impotência de nada poder fazer.A 8 kilometros dali meu pai estava internado com um câncer avançado no pâncreas, debilitado após uma cirurgia complicada, mas muito bem, graças a Deus, tanto que consegui ouvir da boca dele na tarde deste show:

- O Pai tá bem filhote.

Nila subiu ao palco e desfilou seus sucessos, a cada música sentia que meu trabalho ficava ainda mais completo. Sempre escapava um sorriso a mais, uma felicidade, uma satisfação de ter ajudado neste show desde o início. Ao meu lado pessoas importantes, muito importantes, novos e velhos amigos, novos e velhos companheiros de banda e claro, você.Acho que mais uma vez a música entrou em nossa vida, a cada letra, a cada canção a gente fazia nossas comparações e era sempre um: “Talvez” ou “só um pouquinho”, “Sim”. Para mim não tinha coisa melhor que estar ali ouvindo minha cantora favorita, cantando música que adoro e sabendo que a partir de então cada canção daquela passaria a ser a “nossa música”:

Sei que eu te quero bem
Mas eu preciso do meu lugar
No seu mundo
Já passei
por coisas que você nem imagina
Que eu não conto pra ninguém
Mas cansei
De viver essa vida maluca
Eu quero um porto pra ancorar
Eu sei que sempre estou ausente
Que é muito tempo pra me esperar

Tua pele branca, teu abraço macio, quantas saudades, como se te ver de perto tornou o deserto um pouco menos vazio. Vivo, eu novamente estava vivo, como se a peça do quebra cabeça estivesse ali mais uma vez. Como se fosse bastante não te perder, não te perder de vista nem por um instante. E assim foi, tudo que passamos, tenho certeza, não foi uma farsa.
Eu estava ali esperando, ali esperando você ir me ver ou então nos encontrarmos novamente depois de tanto tempo e desta vez tudo dando certinho. “Você não sabe o quanto pode me fazer feliz”. Mas ao final da noite, como agora, onde escrevo essas palavras e ouço a canção que a gente conversou bem na hora: “Não me leve a mal, mas amanheço só” Mas só um pouquinho.

“Se eu soubesse pra onde você vai
Eu estaria lá bem antes de você chegar
Então, me diga o que é que você quer
Que eu vou virar do avesso o mundo até encontrar

Eu não tenho medo de dizer
O quanto eu já tentei achar amor igual ao teu
Eu não tenho medo de perder
Porque o que eu sinto hoje ninguém mais vai mudar”

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Equilíbrio Distante


Era 1996, uma sexta feira pela manhã, lembro que dormia no sofá da sala e acordei por volta das 11 horas com o cd Equilíbrio Distante de Renato Russo. Tinha um rádio microsystem preto e lá o cd rolou pelo resto da tarde entrando pela noite pegando toda a madrugada.
Eu tinha naquela época minhas crises de sono, virava a noite acordado ouvindo música, desenhando, lendo, sonhando acordado. Era uma época boa, cheia de planos e sonhos, onde o incerto do futuro era uma coisa boa a se pensar. Não existia pressa, diferentemente dos dias de hoje que o relógio já não marca ao nosso favor.
Quatorze anos se passaram, hoje já não tenho tanto tempo pra sonhar. No meu quarto uma dezena de livros, CDs, um violão, uma garrafa de Johnnie Walker Red Label, lembranças, saudades e o mesmo cd tocando. Será I venti Del cuore.
Os ventos do coração sopram e a saudade se confunde lá onde eu não queria. Faixa a faixa a emoção remete ao passado, uma hora distante, outra recente. Então chove e assim entra a próxima canção. Scrivimi.


Scrivimi, quando il vento avrà spogliato gli alberi
Gli altri sono andati al cinema, ma tu vuoi restare sola
Poca voglia di parlare allora scrivimi
E se non avrai da dire niente di particolare
Non ti devi preoccupare, io saprò capire
A me basta di sapere che mi pensi anche un minuto
Perché io so accontentarmi anche di un semplice saluto
Ci vuole poco per sentirsi più vicini


Nas orações e no imaculado coração da mãe eu tento ás vezes me esconder e peço a ela que me tire da “solitudine”. Mas o mesmo Marco da canção existe dentro de mim, mas há muito tempo deixo o banco vazio. E eu volto a pensar que non é possibile dividere La storia di noi due, questo um silenzio dentro me.
É estranho como as canções têm o poder de lançar nossa alma para um vale chamado passado. Neste silêncio recatado que nossa sensatez se refugia. Eu sei que nosso silêncio é pecado aos olhos dos nossos sentimentos. Eu queria voltar para a sala daquela casa, deitar de novo naquele sofá e voltar a sonhar.
Um sorriso bobo me ataca e me faz pensar em uma coisa tola, mas gostosa de pensar. Enquanto eu rolava de um lado para o outro no sofá daquela sala, já ouvindo canções, sonhando com dias futuros, você era apenas uma criança que provavelmente tinha fantasias. Enquanto eu escrevia coisas relacionadas aos sentimentos que já sentia e ao mesmo tempo já confundia, você deveria estar aprendendo a unir as letras e formar palavras.
Eu imagino seu primeiro dia de aula, tua mão pequena empunhando um lápis e formando as primeiras frases. A pele branca, a força de vontade e com o tempo a letra mais bela. Letra esta que depois vieram marcar páginas de cadernos e guardanapos de bares. Minha vida se resume á um "Equilíbrio Distante"


Ma c'è un amore che non so
Più nascondere perché
Adesso ha bisogno anche di te

sábado, 29 de maio de 2010

Te perdôo


"Diz que estou sozinho
E sem saber de mim
Diz que eu estive por pouco
Diz a ela que estou louco
Pra perdoar
Que seja lá como for
Por amor
Por favor
É pra ela voltar
Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu rodei
Que eu bebi
Que eu caí
Que eu não sei
Que eu só sei
Que cansei, enfim
Dos meus desencontros
Corre e diz a ela
Que eu entrego os pontos "

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Tratamento Paralâmico.

Há tempos não escrevo nada aqui no blog "Por Aí", a falta de tempo anda grande e além disso, algumas pessoas sabem que meu pai não está bem de saúde. Rui Avelino, meu pai, tem um câncer no pâncreas e dificilmente voltará a ter uma vida normal como ele tinha. Certas preocupações terão de ser tomadas. Realmente as coisas não estão das melhores.
Na última quarta-feira, 28 de abril, visitei meu pai na UTI do hospital da USP, após uma cirurgia de desobstrução da bilis, infelizmente, não foi retirado o tumor que existe em seu organismo.
Ao lado do leito, conversavamos eu, minha irmã Márcia e meu pai, deitado, com dores e totalmente lúcido. Até que no meio da conversa, meu pai revela um sonho que teve:

"Sonhei essa noite que eu tinha morrido e que do outro lado da vida eu encontrava aquela banda que você gosta Rogério, Os Paralamas do Sucesso. Sonhei que eles tocavam músicas pra mim e que nos divertiamos muito. E eles tocaram uma música muito legal, mas que não lembro agora qual é. "

Nesse tempo, minha irmã cantou duas canções da banda, na terceira ela acertou, era "Alagados" do disco "Selvagem?" de 1986. A parte "Mas a arte é de viver da fé, só não se sabe fé em quê" marcaram essa parte do sonho de meu pai.

Eu particularmente fiquei surpreso, pois, meu pai mal sabe quem são Os Paralamas do Sucesso, muito menos sabe uma ou duas músicas da banda. Ele tem 68 anos, e sempre ouviu músicas antigas de 1960 á 1980. Minha vontade foi de chorar quando ele me disse isso, pois, um senhor da idade e no momento que passa sonhar com algo do tipo, realmente é coisa de outro mundo.

Quando conversei com ele, por causa da música "Alagados", ele ficou bem mais animado, sua fisionomia mudou e isso menos de 24 horas depois de ter passado por uma cirurgia que na qual, poderia ter tirado sua vida.

Saindo do hospital, ele me disse que gostaria de ouvir novamente essa música, pois lhe fazia muito bem a canção. Cheguei a conclusão que os mentores espirituais de Herbert Vianna estão por todos os lugares, até mesmo perto de meu pai. Herbert é um cara cheio de luz, suas letras transmitem uma coisa diferente, de melhora, de evolução na vida da pessoa.

"Pois a arte é de viver da fé". Fé essa que meu pai tem de sobra e eu tento ter em dobro pois, ele me ensinou a ter a fé que tenho. Meu pai, obrigado por tudo nessa vida, você foi o melhor pai que já existiu, pois me ensinou a ter a coisa mais linda que um pai pode ensinar ao filho: FÉ

quinta-feira, 11 de março de 2010

Do amor

Eu já escrevi isso no meu twitter e reforço aqui no blog: Eu queria ter uma vida igual do poeta Vinícius de Moraes. Amar, poesia, whiskynho, amar, whiskynho, poesia de novo e música, muita música. Ultimamente até que consegui viver como Vinícius, tenho trabalhado com música e de aniversário ganhei duas garrafas de whisky. Imagine, chego em casa cansado do serviço, leio, bebo whisky e quando não fico bêbado, escrevo para o blog (ou quando fico bêbado eu escrevo, a ordem não importa)
Eu gosto de escrever sobre o amor, gosto de ouvir músicas de amor, prefiro a turbulência da paixão á calmaria da solteirice que insiste em me acompanhar por tanto tempo. Amar é uma dádiva dada aos homens de coração puro que precisam do sentimento para sentir-se vivo. Amar é igual ao porre que tomamos ontem, a gente diz que nunca mais vai acontecer, mas no próximo final de semana lá estamos caídos (de amor ou de bêbados que estamos).
A melhor companhia da solidão é aquele whisky, no princípio com duas pedras de gelo, depois da quarta dose, vai “cowboy” mesmo.
É poético tomar uma bebida, embriagar-se e pensar no amor ou nos amores. Pois o homem comum merece ter um amor, mas o homem escravo da poesia merece ter vários.

Angela Ro Ro interpretou bem quando compôs a canção “Amor meu grande amor”, os versos: “Amor meu grande amor, só dure o tempo que mereça. E quando me quiser, que seja de qualquer maneira."
Que dure o tempo necessário para outro amor tomar o seu lugar e dar ao poeta uma nova inspiração. Que seja infinito enquanto dure, como disse Vínicius, mas também se for eterno meu amor a uma só mulher, que eu a ame como nunca amei e se renove a cada dia.
Apesar de querer ter uma vida parecida com a de Vinícius, hoje me identifico com Cazuza, “não amo ninguém parece incrível, mas é só amor que eu respiro”.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Seu Poeta


È madrugada, estou eu sentado a escrever algumas coisas que sinto, depois de uma longa conversa ao telefone. Cigarro barato na boca e um conhaque barato no copo, como se fosse um grande poeta. Mas grandes poetas talvez bebam um vinho mais caro ou um Wisk bom. Fumem um cigarro mais sofisticado ou um charuto importado enrolado nas coxas de alguma mulher. Hoje, talvez, eu me sinta um pouco poeta, mas como sou pouco, o que me faz ser talvez deva combinar com o que sou. Tudo simples e barato, assim que vai ser a combinação do meu eu. O telefone toca, do outro lado uma voz animada que me faz sentir o que a pouco perdi. Entre papos e risadas, me esqueço de muitas coisas e me torno realmente o que ela acha que sou, um poeta, um ser diferente e especial. Chega no fundo, nos lugares onde muitas pessoas nem se quer um dia chegou perto. Apesar de conhecer todos os lados, ela sabe que se encontra comigo nas coisas que deixo neste blog. Leva ao céu o cara que estava perdido em algum lugar. Horas atrás estava jogado aos seus pés feito um exagerado, mas ela não sabe que já existe o exagerado, eu prefiro ser o radical. Às vezes não converso com a amiga, mas com uma fã incondicional, que sabe lá como, fui conseguir ter. Diz ela que "são os textos que deixo aqui, que tudo é tão real e profundo." Que consigo expressar "tudo aquilo que ela sente de uma maneira simples e perfeita". Ela diz que sou poeta, deixo escapar um sorriso e acho que ela é louca, mas adoro ouvir tudo que ela diz. Oscar Wilde dizia que " ser grande significa ser incompreendido". Talvez eu seja grande, talvez você seja grande, ela seja, e muitos outros escritores, poetas, músicos. Mas hoje eu não fui grande, pela primeira vez, pois ela compreendeu a essência da alma do poeta. Poeta este que para mim é apenas um cara protagonista de um livro mal escrito. Novamente ela tira meu chão, diz que as canções "Monte Castelo" da Legião Urbana e "Monte Inverno" do Rosas de Saron é a biografia do meu jeito de ser. É real, ela novamente estava com a razão e eu não percebia isso.

Acredito nos trechos da primeira canção: "sem amor eu nada seria" ou então "é estar-se preso por vontade" e "Estou acordado e todos dormem" e finalizando "É só o amor que conhece o que é verdade".

Na segunda canção os trechos "Olhei para trás e vi meus antigos sonhos e até chorei e hoje sinto saudades do que falei", "Eu mudei, nem sinto, nem vejo as coisas como via antes. Meus amigos cresceram, mudaram e ficaram distantes. Perdoe meu choro, ele é sincero".

É triste, eu sei, mas se ela enxerga um poeta dentro de mim, ela também precisa concordar com Vinícius de Moraes que dizia:

"Assim como o poeta só é grande se sofrer. Sem ter amor não é viver."

A noite acaba pela metade, mas eu não preciso da outra parte da noite, ela já fez com que eu sentisse todas as outras noites de minha vida.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Aposte neles.


Acredito que nem eles acreditavam que poderiam levar o Grammy de artista revelação e diga-se de passagem, em um mundo onde o dinheiro conta e acredito até que muitos prêmios são comprados, o Zac Brown Band teve uma justiça ao vencer a categoria. Procurei saber dos outros artistas que concorriam com eles e sem sombra de dúvidas, os caras mereciam. Pra quem não conhece a banda, digamos que eles tocam um country music, mas me arrisco a dizer que eles tem um grande pé no Folk. Com músicas calmas e tranquilas, certas canções dão a impressão de situações românticas. Claro, eles tem suas cotas de country como nas músicas "Mary" e "Chicked Fried", mas são canções como "Highway 20 ride" que fizeram com que eu me apaixona-se por essa banda. A letra fala de um pai que diz ao filho que ele e sua mãe não podem dar certo, mas vai além disso, a letra também fala dos seus pensamentos enquanto dirige em uma auto-estrada. E arrisco-me a dizer que a letra combina certinho com alguém que pega o carro e sai sem destino. Outra bela canção é "What ever it is", acho que não ouvi nos últimos tempos coisas tão belas em uma só canção. Versos como:
"Ela é tudo que eu queria dizer para uma mulher
mas eu não conseguiria encontrar as palavras certas pra dizer.
Eu não sei o que fazer,
porque cada vez que eu tento lhe dizer como me sinto,
sai um "eu amo você".
Trechos assim fazem qualquer pessoa pensar duas vezes nas atitudes que pode tomar. Alias, essa canção é típica daquelas que você ouve com quem você gosta do lado, deitado no seu peito ouvindo apenas a respiração da pessoa. Até comentei isso com uma amiga e ela me perguntou se eu pensava em alguém pra pensar nessas coisas. Respondi a ela que não, não existem motivos pra pensar em alguém. Apenas sonhos e situações no qual a música se encaixa. Antigamente até pensava, mas hoje em dia me sinto como a música "Toes" da banda:
"Life is good today, life is good"


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

MIlhas e Milhas

Uma das maiores bandas, na minha opinião dos anos 80, sem sombras de dúvidas é o IRA!. Desde a primeira vez que ouvi "Pobre Paulista" no rádio, eu simplesmente pirei. Depois vieram várias e várias canções: "Dias de Luta", "Tarde Vazia", "Gritos na Multidão", "Nucleo Base", "Tolices", "Superficial como um espinho" e tantas outras músicas. Definitivamente o IRA! foi uma das bandas que mais ouvi na minha adolescência. Lembro de vários shows que assisti no Centro Cultural SP, Praça Charles Muller e no vale do Anhangabaú (esse último com direito a socos na hora do refrão de "Dias de Luta"- "Porra, Caralho, cadê meu baseado?).
Mas outras lembranças me atacam quando ouço as músicas da banda, e por incrível que pareça hoje me lembrei das canções "Boneca de Cera" e "Milhas e Milhas". Essas músicas são perfeitas, tanto nas melodias, como nas letras, como na voz de Nazi. Uma vai completando a outra. Enquanto você ouve versos como da canção "Boneca de Cera:

"Você não é mais a mesma
Você mudou pra valer
E um sorriso de seus lábios não terei

Eu sinto um frio
Que vem do seu coração
Mesmo nesse sol de verão
Apenas um suspiro
E um olhar perdido"

Logo você pode obter a resposta do que se pode fazer na canção "Milhas e Milhas":

"As lágrimas que correm no seu rosto agora
Escondem a indiferença que sentias por mim
A vingança não existe em meu coração
Mas não te quero mais"

Talvez a gente pode voltar a perguntar por quê as coisas são assim???

São assim porque devem ser. Não existe alternativa para indiferença, egoísmo. Quando não há o que fazer, só resta uma coisa: Colocar um ponto final de uma vez por todas. Sei que essa é uma alternativa radical (como eu gosto de ser), mas quando se é superficial demais com muitas coisas, principalmente com as coisas do coração, não há por que tentar escrever outras páginas. O tempo não tomou minhas palavras, nem os sentimentos. A gente corre do vazio que sentimos, mas eu vou lhe dar uma dica, eu não, a canção da banda:

"Mas dê um tempo
Pra que seu imenso vazio
Seja tomado
Pela vontade de criar e viver"

E talvez de não escondermos mais nada. A história acabou e estamos a milhas e milhas distante do solo lunar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

I Believe

Eu acredito em tanta coisa,
Acredito na chuva,
Acredito no tempo.

Acredito no menino levado chamado "Destino",
acredito nas coincidências,
e nas circunstâncias.

Acredito na minha cama,
e nos sonhos que deixo no meu travesseiro.
Acredito no silêncio do meu quarto.

Acredito nas canções de todas as horas,
acredito nos meus textos,
nas minhas músicas e nas coisas que digo.

Acredito no amor,
e no romance esquecido.
Acredito no meu coração e no meu jeito de ser e de amar.

Acredito nas praças,
acredito nas ruas,
no bar e no ponto de ônibus que vive a me esperar.

Acredito nos medos,
Acredito na saudade,
e acredito também em coisas naturais.

Acredito nas dores,
nas enxaquecas,
e no cansaço.

Cansado!
Acreditar em tanta coisa me deixou cansado.

(Rogério Avelino - 28/01/2010 - 14hs:21m))

*Texto inspirado na canção abaixo.


REM - I BELIEVE

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Em campos de capim.

Confesso!

Eu estava precisando de férias. Precisava ir para longe de casa, longe do Oficina Bar, longe de qualquer lugar que me trouxesse a rotina. Peguei quatro dias do meu ano para não fazer absolutamente nada. Escolhi uma praia no litoral norte e me mandei. Apesar do trânsito na marginal, eu já me despedia desta loucura chamada São Paulo.

A praia!

Assim que vi lembrei-me daquela música do Los Hermanos que diz assim:

"Posso ouvir o vento passar, assistir à onda bater".

Como foi bom.

A trilha sonora dessa viagem não poderia ser outra, Norah Jones foi uma companhia fantástica, a cada música dela esquecia São Paulo e Osasco por completo. Olhava os carros passando ao som de "New York City". O mar com "Come Away With Me". As montanhas eu engatilhava a canção "Cold Cold Heart" e a cachoeira que havia atrás da casa onde eu estava, eu deixava por si só e pensava:

( )

Eu não pensava em nada, esqueci todas as coisas boas e ruins que 2009 me proporcionou. No mar pedia a benção, na areia deixava minhas marcas e no rio eu purificava minha alma.

Estava consumado.

Às vezes, lembranças me assaltavam, foi quando pensei: Seria bom se você estivesse aqui, estou precisando daquele seu olhar que não vejo a dois anos. Se vejo é por foto no orkut de uma amiga em comum. Eu precisava disso agora.

Essa viagem me fez pensar em muitas coisas e confesso que estou bem melhor agora, pronto para o ano de 2010. Quero tudo novo, tudo por inteiro e nada pela metade.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Das Canções

" Todo retrato pintado com sentimento é um retrato do artista, não do seu modelo. O modelo é simplesmente o acidente, a oportunidade. Não é a ele que o pintor revela. Quem se revela sobre a tela colorida é o próprio pintor. O motivo por que não irei exibir o quadro é o de ter exposto nele, o segredo da própria alma”.

Assim Basil Hallward descreveu seu quadro ao amigo Lorde Henry no livro de Oscar Wilde, "O Retrato de Doryan Gray". Na ocasião, o mesmo tentava convencer o artista a expor sua obra prima a sociedade inglesa. Como no livro, a semelhança é a mesma quando componho uma canção, há muito de mim nas letras e o modelo pelo qual foi feita a canção é apenas um acidente, uma ocasião. Não menosprezo minha inspiração, afinal sem o tal modelo, a canção não poderia ser escrita, há muito mais ali, existe um artista expondo muito de si nas músicas. No meu repertório existe uma canção para cada parte de minha vida. Cada modelo foi importante para construção da letra e da melodia, mas eles passaram e com o tempo outros modelos vieram e tomaram seu lugar. Quantas e quantas vezes eu não troquei olhar com outros modelos enquanto tocava e cantava as canções. Eu sabia que tal música não foi feita por sua inspiração, eu sabia para quem aquela música foi escrita, mas isso de nada vale e como diz o livro:
“O modelo foi apenas um mero acidente, uma ocasião.”

O que vale é o momento, àquela hora, aquele lugar. Certa vez uma amiga minha, Fernanda, foi ao show da minha banda e ao término da primeira parte do show, uma amiga sua pediu para que escreve-se a letra de uma música minha em um pedaço de papel. Talvez naquele momento tal canção não fizesse parte de mim, mas sim do mundo. É como Fernando Pessoa escreveu certa vez:

"Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos meus versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.
Passo e fico como o universo."

Certa vez até vi alguém chorar no escuro do teatro. Por outras vezes tal canção me acertava em cheio, pois vivia naquele momento a mesma história da música, mas com outro modelo. E isso é importante, fazer das canções atemporais. Eu sempre soube o real motivo daquelas canções, como e quando ela foi escrita. Mas o que valia era aquele momento e aquela canção, e naquele momento, aquela canção passava a ser sua também.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Toda dor é prazer.

“Toda dor é profana, toda dor é prazer. Toda noite escura, branca, estrela, poder. Toda noite bom dia, eu que amo você”. Esse é um trecho da canção “Profana” da banda mineira Tianastácia, liderada por Podé e Maurinho. Essa música me lembra muito a filosofia “Amor Fati - Ame o que não pode ser mudado”, do meu escritor favorito Nietzsche. Não ter medo da dor não quer dizer que, você tenha que gostar de sofrer, caso ela apareça, ame-a e sinta o máximo de prazer, afinal “toda dor é profana, toda dor é prazer”.
Um amigo me disse que as mulheres não merecem o privilégio do nosso sofrer, pelo contrário amigo, elas merecem um homem que sofra por elas, que chore por elas, que pense nelas como se fosse o último dia de sua vida. Pois elas também estão sofrendo por nós. Já dizia Vinicius de Moraes:

“Uma mulher tem que ter, Qualquer coisa além de beleza, Qualquer coisa de triste, Qualquer coisa que chora, Qualquer coisa que sente saudade”

Essa mulher que Vinicius diz, também merece ter um homem assim, apaixonado e louco por ela. E ela deve saber dar o valor a ele, amá-lo como se fosse o último verão e não prende-lo a fantasias de meninas. Separar os sentimentos de amizade e de amor, se não acontece como no filme "Tenha Fé", onde não sabendo expressar seus sentimentos, Anna Reilly (Jenna Elfman), confunde os sentimentos do padre Brian Finn (Edward Norton). Mulher de verdade não se sente menina, não todas as horas como Ana Reilly, mulher de verdade é aquela que tem motivos reais pra chorar, pra ser triste, para amar. E onde foi que eu errei afinal? Será que eu ainda encontro a fórmula do amor? Talvez eu tenha encontrado, só a usei de forma errada. Procurei em uma menina, uma mulher que não existia. Esse não é um erro só meu, e sim da maioria daqueles que amam de verdade. Quantas e quantas mulheres também não procuraram homens em meninos mimados. E quem não enterrou seus mortos, conviveu com o mau cheiro.
Por isso que digo, se a dor for profana, que sinta o prazer. Se o amor for real que valha enquanto dure, se a amizade for sincera que lute para ser real e não virtual e não as confunda. E se a dor for inevitável, ame-a como se o último sentimento que você possa ter, afinal, é a última coisa que se pode fazer.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Sofia

Sabe quando a gente se permite a pensar um pouco mais? Sim! um pouco mais que se sentir incomodado como andar na chuva ou achar que tudo está certo. Está tudo certo, tudo dentro da pauta que eu escrevi e do enredo que sigo. É noite de natal e tudo continua igual onde estou. Não me senti triste desta vez, pelo contrário, Sofia filha de um amigo meu, mostrou-me como é lindo e como a vida tem sentido. A cada sorriso, a cada olhar desconfiado e a cada passo dela sentia-me vivo e com vontade de enfrentar todos os desafios. Queria ser como Sofia, sorrir ao ver uma caixa embrulhada, sorrir sem medo da surpresa que pode acontecer e até não me decepcionar se não ganhar o que eu queria. Deixar apenas de lado, olhar desconfiado de novo e correr para os braços de quem nos protege. Na noite de natal abracei algumas pessoas como se fosse a última vez, senti como se fosse a última vez, cantei como se fosse a última vez, rezei também como se fosse conhecer o desconhecido e pensei em nós como se fosse a última vez. Talvez seja a última vez que penso assim. Adormeci cedo, nem me importei em sair ou ligar para alguém, quem eu queria já estava com meu Feliz Natal dado. Sonhei que estava dentro de um ônibus, pela janela vi uma escuridão, quando senti seu abraço pedindo-me um beijo. Olhei novamente e não havia mais escuridão, tudo tinha voltado ao normal. Tudo certo. Quando acordei pensei novamente em Sofia, quis ser criança novamente que, acorda e fica olhando pro teto tentando entender por quê acordei, por quê o teto é branco e como se chama o que vejo e o que sinto. Ver o novo com meu novo olhar e sorrir ao ver o sorriso de quem te ama. Pensei então que ser criança não é simples, é mais duvidoso que ser grande, o problema é que nossa dúvida é medo, enquanto a de Sofia é a descoberta da vida e a dúvida é instigante e emocionante.

Infância

Em 1982 minha mãe foi até uma cartomante e abrindo as cartas disse: “Você vai ter mais um filho”. Ela não acreditou, e algum tempo depois ela estava grávida. Nasci no dia 7 de Março de 1983, às 21hs: 20m, sobre o signo de Peixes, com ascendência em Escorpião e a lua em Capricórnio.
Nasci no bairro da Pompéia, na Avenida Pompéia 1178, ao lado da igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Hospital e Maternidade São Camilo. Fiquei alguns dias no hospital, devido a uma Icterícia, excesso de bilirrubina no sangue. Sai do hospital e fui para casa, era um começo de uma vida. Meu nome foi uma homenagem ao meu avô, Rogério Belluzzi, o Marcos foi para não quebrar a sequencia dos nomes de meus irmãos: Marcelo e Márcia (todos começando com a letra M)
Sempre fui um bebê bem tranqüilo, mas fui mudando com o passar do tempo. Aos dois anos assisti atentamente ao funeral de Tancredo Neves, segundo minha mãe, ficava vidrado na TV, vendo aquela multidão chorando a morte do seu presidente. Conversava muito com as paredes de casa, geralmente eu brigava com elas e descontava minha raiva dando cabeçadas. Meu Pai diz que eram tão fortes as cabeçadas que chegava a assustar quem estava por perto.
Morava no bairro do Campo Limpo, então meus pais conseguiram uma casa na COHAB de Carapicuíba e mudamos para lá em 1985. Nossa casa era simples, dois quartos, sala/cozinha, banheiro. Tinha um quintal bacana e um cachorro chamado Chiper, com o tempo construímos uma oficina para minha mãe e um barraco para meu pai guardar as coisas dele.
Em uma madrugada acordei e fiquei olhando a escuridão, a luz que vinha da rua iluminava a cozinha e vi nitidamente um animal vindo em minha direção. Um tigre. Morrendo de medo, fui para a cama de meus pais e essa imagem me acompanhou por um longo tempo. Morria de medo dos programas do Chico Anísio, tinha crises de choro quando começava seu programa no sábado à noite, e também morria de medo dos programas políticos da época.
Adorava futebol, narrava os jogos do meu time de coração, o Corinthians, imitando o narrador Silvio Luiz (ééééééé do Corinthians encha o peito, solte o grito da garganta e confira comigo no replay). Gostava de brincar, principalmente de rezar missas, meu sonho era ser padre. Devido a isso estraguei muitas bíblias do meu pai.
Aos Domingos acordava cedo, ia à missa e na parte da tarde, meu pai gostava de me levar para passear. Quando não íamos a Aparecida do Norte, nosso programa acabava sendo Pirapora ou a Igreja de São Judas Tadeu na zona sul de São Paulo. Era muito religioso, ainda sou, acreditava que conseguiria a santidade, tanto que ao assistir o filme “O Milagre de Fátima” fiquei de joelhos em frente à parede e rezava esperando a visita da virgem santa.
Certa vez vi Jesus em um espelho, olhando de longe pra mim (isso é verdade gente) e gostava de assistir a todos os filmes bíblicos que passava. Meu pai explicava e contava-me histórias sobre Jesus, sobre Nossa senhora aparecida e sobre o Negrinho do Pastoreio. Cantava pra eu dormir a música caipira “As Andorinhas”. Uma vez na igreja onde fui batizado, a paróquia São José do Jaguaré, entre e fiquei de frente para o altar olhando a cruz. Sai correndo, afobado, gritando que o Diabo estava dentro da igreja.

Minha mãe por sua vez cuidava muito de mim, um dia no parque da Água Branca comprou um boneco do Pica Pau (como fiquei feliz aquele dia). Freqüentava muito os retiros da comunidade Kolping, entidade que ela faz parte. Ficava dias e dias, brincava sozinho pelos corredores das casas paroquiais. Mas o momento que eu mais gostava era quando todos se reuniam no salão para cantar, ah como eu gostava, aprendi boa parte das músicas folclóricas lá, simplesmente adorava.
Meus irmãos eram sensacionais, Marcelo, o mais velho gostava de me levar para ficar com seus amigos. Ali ouvi pela primeira vez a banda Camisa de Vênus. Sempre que encontrava com ele pedia pra colocar a música “Bete Morreu”. Minha irmã era a segunda mãe, cuidava, dava roupa, levava no Mc, batia, adulava, mimava e me amava muito.
A música entrou cedo em minha vida, gostava muito de cantar, uma vez dei um show incrível com um espremedor de limão, destes de fazer caipirinha. O show acabou em tragédia, em um momento de empolgação o espremedor escapou da minha mão acertando em cheio a cabeça de minha irmã.
Ouvia os discos caipiras que tinham em casa, “Tião Carreiro e Pardinho” era o meu favorito. Também ouvia os discos de Roberto Carlos e um disco espírita que não me lembro o nome. Tinha o disco de Chico Buarque, Os Saltimbancos. Balão Mágico também vivia na vitrola de casa, aprendi a cantar “Ursinho Pimpão” e deitava no colo da minha irmã para cantar com ela:

“Dança também, Pimpão, pelo salão.”

Estudei em uma pré escola chamada Grêmio Verde na COHAB, minha primeira professora se chamava Márcia. Certo dia, no final de ano, próximo a formatura, o conselho da escola precisava de uma criança para representar o menino Jesus. O negócio era simples, era preciso andar de um lado para o outro ao som de “Guerra dos Meninos” de Roberto Carlos, entrava pelo meio das crianças e subia uma escada. No topo, era preciso ficar de frente para a multidão representando o filho de Deus. Adivinha quem foi escolhido?
Apaixonava-me diariamente, certa vez acordado até tarde vi uma mulher passar em frente à casa onde morava, seu nome era Ana Paula, estudante e irmã de um amigo. Ela deveria ter por volta dos seus 18 anos, era linda. Minha mãe combinou com ela e fizeram uma surpresa para mim. Imagina minha cara quando ela se escondeu no vão do muro da minha casa.
Existem muitas histórias da minha infância, mas acho que contei o suficiente para você conhecer uma parte da minha vida meio que desconhecida. Quem sabe um dia role uma biografia ou uma autobiografia para a felicidade de quem gostou deste breve relato sobre uma parte feliz da minha vida: Minha infância.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

You've Got A Friend

“Quando você estiver abatida e preocupada
E precisar de uma ajuda
E nada, nada estiver dando certo
Feche seus olhos e pense em mim
E logo eu estarei aí
Para iluminar até mesmo suas noites mais sombrias.”

Quando ouvi pela primeira esse trecho da canção de James Taylor eu simplesmente pensei: Nossa, eu não sou o único a dizer isso para as pessoas, mas não havia pensado em musicar algo tão sincero. A canção “You've Got A Friend” é a prova de amizade que todo mundo espera ouvir. É tão difícil a gente encontrar uma amizade sincera, eu particularmente tenho amigas e amigos, mais amigas, que não há como resumir o que sinto por essas pessoas.
Eu sou um cara meio difícil às vezes, tenho idéias malucas, filosofias de vida absurdas e não aceito muitos palpites. Abaixo do céu poucas as palavras que me comovem e que me façam refletir, há não ser é claro, que ela venha em formato de canção ou escritas nas páginas dos livros que leio. Ás vezes acredito mais nos livros do que nas pessoas, eu acredito também em você, confesso, mas sou meio egoísta e por pirraça não quero ouvir as verdades que me diz.
Por acaso quando ouvi essa música do James Taylor, senti que precisava te dizer algumas coisas, pois aprendi muito também. Aprendi que é bom ter uma amiga como você, que eu vou estar onde seu pensamento estiver. Que sempre que se sentir triste ou sozinha eu estarei com você. E mesmo que o silêncio se faça mais forte, meu coração vai estar forte batendo em função de você.
Apesar de ter regras fixas pra viver, eu sempre abro uma nova exceção. Não tenho artimanhas, estou jogando o jogo que o destino me preparou. Cada coisa por separado, primeiro lança-se os dados e depois dou passos que precisa ser dado. Estamos defronte novamente com o caminho que abrimos e preparados para outros que vamos abrir.

domingo, 29 de novembro de 2009

Poeta de coração.

Eu vivo passeando pela vida, tomando nota do que acontece ao meu redor. Já passou o tempo em que eu esquecia certas coisas. A vida é um espelho, meu agir depende do outro, minha alegria depende de outra, meu olhar depende do outro, meu respeito também. Isso tudo faz parte do aprendizado do tempo.
Pelo que me cabe, sou radical até o ponto que precisa ser, sou metido a poeta maldito, alias, Pablo Neruda já dizia que era poeta por maldição e doido varrido. Não me considero poeta, nem de longe, mas admito a maldição de expressar-me em palavras quando sinto a emoção a flor da pele.
Fernando Pessoa já dizia que ser poeta não era uma ambição, era apenas o modo dele estar sozinho. Gosto disso, pois, se é preciso ser só para ser poeta, acredito que sou dentro todos um dos maiores. É no silêncio recatado que eu me refugio e me encontro, mas existe um porém nessa história, e como escrevi certa vez em uma canção: Passo a existir somente pra você.
Sempre que eu me encontro, encontro alguém também. Encontro sempre quem despertou algo em alguma fase da minha vida. Hoje alguém me falou que se, daqui quinze anos eu procurá-la, com certeza acharia um pouco de mim nela também. Às vezes acho isso injusto, não me dou tão fácil assim pra ninguém, mas é inevitável que deixe minhas marcas por onde eu passo.
Acredito que sempre nos encontramos, em gestos, palavras, frases, textos, tempos, tristezas e nas alegrias. Sou apaixonado pelas coisas da vida, por tudo que acontece, pois sou maldito por natureza e poeta de coração.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Lettera Di Solitudine

Sei que tenho andado ausente, mas tenho que lhe confessar: Estou te traindo. Eu sei que você sabe disso, tem até me procurado nos últimos tempos e confesso: Tenho muitas saudades de você. Acontece que as coisas acontecem assim minha querida, nós precisavamos de um tempo para pensarmos no que seria melhor, tanto pra mim, quanto pra você. Pensei bastante e nesses pensamentos sentia muito a sua falta. Só você consegue entender o que eu sinto e me dá respostas que ninguém poderia dar.
Você entende meu jeito de ser, adora estar comigo quando estou lendo meus livros favoritos, ou escutando aquelas canções que fazem bem a minha alma e tem tudo a ver com seu jeito de ser. Adoro também quando me deito e você trás aquela calma que só seus momentos podem me dar. Quando digo que só quero ficar “quietinho” hoje, você entende como ninguém, respeita minha vontade e faz companhia ficando em silêncio também. Sinto falta quando sento para escrever e você dita em meus ouvidos às palavras que quer que eu escreva.
Sempre tive medo de você, mas hoje aprendi o quanto me faz bem pensar que você existe e está sempre querendo um lugar cativo na minha vida, mas infelizmente nunca poderei dar meu coração. Às vezes preciso me divertir também, conhecer outras pessoas e sei que você entende isso. Mas saiba que não quero te esquecer, e sempre vou procurá-la quando precisar, afinal, sei também que precisa de mim.
Boa noite minha querida Solidão.

Com Amor.
Rogério

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Eu sei que é amor.

“Porque eu sei que é amor, eu não peço nada em troca”. É com essa frase da música dos Titãs que abro esse texto. Há tempos queria escrever algo sobre a banda e não estava conseguindo, algo travava. Eu andava meio decepcionado com a banda, os últimos trabalhos dos caras não estavam me agradando, até eles lançarem o último disco: “Sacos Plásticos”. Refleti sobre as músicas do novo disco dos Titãs, ouvi coisas interessantíssimas, apesar de que, um antigo fã da banda sempre espera ouvir músicas feitas nos discos “Cabeça Dinossauro”, “Titanomaquia”, “Tudo ao mesmo tempo agora” ou “Jesus não tem Dentes no país dos banguelas”. Os Titãs mudaram e não é de hoje que essa mudança aconteceu, há muito tempo a banda explora um lado mais pop e tranqüilo da música. Essa canção “Porque eu sei que é amor” é simplesmente perfeita, uma coisa que remete muito a Vinícius de Moraes naquele poema em que o poeta diz: ”Que seja eterno enquanto dure”. Faço uma comparação, se for amor e eu sei que é, não peço nada em troca, me ame apenas do jeito que eu te amo. Caso não seja, que seja eterno enquanto eu sinta algo, enquanto dure. O amor é algo diferente, certas vezes sufocante, mas um calmante quando retribuído da forma que desejamos. Não sei se percebeu, mas muitas coisas que escrevo são desabafos, algo que preciso expressar. Eu não sei ao certo se escrevo para as pessoas certas, mas eu não tenho dúvida para quem escrevo. Sei que escrevo e isso me faz bem, pois sei que não escrevo só pra mim, eu penso em você que está lendo, tenho certeza que você pensa como eu.
Como diz a música, mesmo que você não esteja aqui, mesmo que você tenha que partir, e mesmo que se eu te trouxer aqui ou te levar daqui, saiba que sempre levarei para lugares onde nunca esteve. Sabe por quê? Por que eu sei que é amor.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Existem coisas que gostaria de ter escrito.

Sabe aqueles poemas que a gente lê e diz pra si mesmo: "Putz como eu queria ter escrito isso!". O poema abaixo que você vai ler é de autoria de Clarice Lispector. Cazuza certa vez musicou o poema junto com Frejat. Em um show do grupo, antes de cantar, ele disse:
"Eu queria dizer aqui o seguinte: A pessoa que eu mais amo na minha vida chama-se Clarice Lispector. E a sobrinha dela, Nicole está aqui. E eu queria cantar rapidinho uma poesia da Clarice que eu musiquei. É assim:"

Sou inquieto, áspero
E desesperançado
Embora amor dentro de mim eu tenha
Só que eu não sei usar amor
Às vezes arranha
Feito farpa
Se tanto amor dentro de mim
Eu tenho, mas no entanto
Continuo inquieto
É que eu preciso que o Deus venha
Antes que seja tarde demais
Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É o inesperado
Mas eu sei
Que vou ter paz antes da morte
Que vou experimentar um dia
O delicado da vida
Vou aprender
Como se come e vive
O gosto da comida
"Que o Deus Venha"
(Cazuza / Roberto Frejat / Clarice Lispector)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

VMB 2009, DE NOVO?


Cheguei em casa, liguei a TV e consegui chegar a tempo para assistir a reprise do VMB 2009. Comecei assistir e sinceramente já senti saudade dos tempos em que dava gosto assistir a premiação da MTV. Marisa Monte ganhando com o maravilhoso clip de Segue o Seco, Paralamas ganhando tudo, Rappa detonando, Pato Fú era a revelação, etc. Começamos bem o VMB de 2009, Paralamas do Sucesso ganhando a categoria de melhor show. Mas foi só eu acessar a internet e ver os vencedores pré VMB (categorias que antecipavam a premiação) pra ver que a merda só estava começando. Lucas e Tavares da Fresno ganharam na banda dos sonhos, além de paparem também como melhor banda pop, deixando pra trás grandes artistas que fizeram discos maravilhosos esse ano: Skank e Nando Reis (nada como ter fãs que vivem na internet o dia todo né? ler um livro que é bom nada). Na categoria MPB, Fernanda Takai na cabeça, merecidamente, pois seu trabalho homenageando Nara Leão foi simplismente perfeito. Na categoria Rock outra decepção, e das grandes, a banda carioca Forfun desbancando Cachorro Grande, Autoramas e até a baiana Pitty. Fala sério! No samba, sem surpresas, Zeca Pagodinho (eu votei no Diogo Nogueira). Na categoria Clip do Ano os mineiros do Skank venceram com a belíssima canção Sutilmente e os Titãs levaram o prêmio de melhor filme/documentário com "A Vida Até Parece Uma Festa". A negativa da MTV foi entregar alguns prêmios fora do palco do VMB, achei uma falta de respeito. Bom, ai amigos o VMB, mais uma vez, cagou no pau. Hit do Ano para NX Zero com a canção Cartas prá Você (a pior música de todos os tempos do Rock Nacional Brasileiro.) Revelação foi para a banda Cine. Banda o que? e Artista do Ano, quem? ah? Adivinha? FRESNO na cabeça. Eu cheguei até a visitar a comunidade deles e tinha um tópico com 6 mil post desde o início da premiação. Ai eu me pergunto: Qual é o futuro da juventude brasileira? Nenhum. O pior de tudo, ainda preciso ler que os melhores da noite foram Fresno e NX? Os melhores? mas quem disse que eles foram os melhores? O melhor da noite foi ERASMO CARLOS. Quer aprender a fazer Rock meu filho, veja o tremendão arrebentar. É infelizmente a MTV decepciona em mais um VMB, deixando nas mãos dos internautas desocupados uma premiação importante como essa. Ainda bem que existe o tempo pra fazer justiça.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Feliz ano velho pra vocês

Eu não sei de você, mas eu acho que não tenho um livro novo na minha prateleira. Todas as coisas que eu leio, geralmente, são coisas antigas. Nenhum desses novos livros faz minha cabeça: Anjos e Demônios, Crepúsculo, Código Da Vince, etc. Os antigos fazem a minha cabeça. Algum tempo atrás eu li um livro que achei fabuloso. Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva narra a história do seu acidente aos 20 anos, após dar um mergulho infeliz, Marcelo quebra a vértebra e fica tetraplégico.
Apesar da história trágica, dei boas risadas com o livro. Marcelo conta de forma objetiva o que aconteceu no ano de 1979. Paixões, aventuras, sua recuperação, lembra do pai que foi assassinado pela ditadura da época e do amor que sente pela mãe e as irmãs. Marcelo também fala da sua paixão pelo time de futebol (de bom gosto esse cara, ele também é corinthiano), da música e muitas outras coisas. Certa vez eu fui assistir a uma peça no Teatro do Banco do Brasil no centro de São Paulo. Estava na fila esperando a bilheteria abrir quando passou ao meu lado um rapaz em uma cadeira de rodas. Eu reconheci o cara, já tinha visto aquele rosto em um documentário do canal Multishow, mas infelizmente naquela época eu ainda não havia lido o tal livro. Em 1987 Feliz Ano Velho virou filme, eu consegui uma cópia e tentei assistir, mas eu ainda prefiro o livro. Bom, como todo mundo sabe, eu sou meio "conselheiro de leitura", então caso queira ler um livro bem legal, está dada a minha dica: Feliz Ano Velho é um grande livro, vale a pena deixar de lado os best sellers atuais de lado e ler algo que influenciou toda uma juventude dos anos 80.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Separados no Nascimento.


Eu gosto destas coisas e não fico puto quando alguém fala que eu sou parecido com tal cara. Já me chamaram de Paul Mccartney, Fintch entre outras tantas personalidades. Eu acho até uma honra parecer com um beatle, mas realmente eu sou o cara do Marcel Proust. Eu gosto de parecer com pessoas inteligentes e Marcel era um cara hiper inteligente. Estou para comprar a sua biografia e saber um pouco mais da sua vida. Enquanto não compro, fica a foto ai para você comentar.

Abraços

sábado, 5 de setembro de 2009

Sonhos e Silêncio.

Eu estou longe,
próximo daquele lugar que imaginamos.
Tenho medo,
sinto que as nuvens estão rindo de mim.
Sou um sonho, um silêncio.
Por ser assim, as nuvens estão rindo de mim.
Aqui é alto demais,
mas é o único lugar onde você não pode me alcançar,
estou mais seguro sem você.
Continuo sendo um sonho, um silêncio.
Eu sinto tanta falta dos abraços,
do carinho, da mão amiga.
Sinto falta dos teus olhos me fitando,
mas hoje não me vê.
Sou um sonho, um silêncio.
Que sinais viu no céu para me encontrar?
Não me procure,
eu não sou um bom lugar.
pois sou feito de sonhos e de silêncio.
(Rogério Avelino - 05/09/2009 - 11Hs:35m)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Corinthians - 99 Anos de Glórias.

Não importa qual é o time do seu coração, apenas leia o que tenho a dizer deste clube que hoje, dia 1º de Setembro de 2009, completa 99 anos. No último domingo fui a casa de meu pai, grande Rui Avelino, levei o DVD "23 anos em 7 segundos" que conta a história do título paulista conquistado pelo Corinthians em 1977. Olhei nos olhos do meu pai e disse: "Pai, obrigado pela educação que me deu, pelos conselhos, pelo carinho e pelo amor. Mas pai, muito obrigado por me fazer CORINTHIANO". Ele sorriu e disse: "O homem nasce, cresce e morre corinthiano. Não se vira corinthiano, o homem nasce". Sei que muitos não entendem quando algum torcedor diz que "não tem explicação torcer para o Corinthians" e não tem mesmo. É um sentimento grande, uma coisa inexplicável, é feito o amor. Ninguém consegue explicar, apenas se sente. Nesse dia em que completa 99 anos, quero te dizer que: Não importa qual seja seu time, mas quando falar do Corinthians tenha respeito, pois ele é do Brasil o clube mais brasileiro, é o time do povo. Nenhum outro time brasileiro conseguiu fazer coisas que o Corinthians fez. Em 1976, na semifinal do campeonato brasileiro, 70 mil corinthianos sairam de São Paulo e invadiram o Maracanã. Segundo Juca Kfouri "foi o maior deslocamento de massa em tempo de paz da história da humanidade, eles transformaram a via dutra em avenida Corinthians". E as piadas dos rivais: "Libertadores o Corinthians nunca viu". Nunca vimos mesmo, mas me responda uma coisa: Como um time que nunca venceu uma Copa Libertadores e de quebra ficou 23 anos sem ganhar um campeonato, conseguiu ter a maior torcida do país (isso eu afirmo com todas as letras, é a maior) ter o ódio mortal de seus rivais e ainda por cima ser um dos maiores clubes do país. Explique. Não tem explicação, pode falar o que quiser, mas no brasil existem apenas duas torcidas: A do Corinthians e a Anti-Corinthiana. Por ser odiado és o mais querido de todos os clubes, tem a força do povo brasileiro, sofrido e feliz. Obrigado Corinthians por existir, meu amor por ti é imenso. Como já dizia um dos teus torcedores mais ilustres: "Ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro. Ser corinthiano é ser também, um pouco mais brasileiro"
OS MAIORES GUERREIROS: Neco, Servilio de Jesus, Cláudio, Teleco, Gilmar, Luisinho, Baltasar, Rivelino, Basílio, Zé Maria, Geraldão, Wladimir, Casagrande, Socrates, Biro-Biro, Zenon, Viola, Ronaldo, Neto, Tupãnzinho, Marcelinho Carioca, Tevez, Ronaldo, entre outros tantos guerreiros que fizeram história com o manto sagrado alvi-negro.

Amar é mudar a alma de casa.

Eu sempre ouvi falar de Mario Quintana, mas nunca tinha lido nada do poeta. Esses dias ganhei um livro de poemas dele e gostei por demais. São versos perfeitos, como esse que dá título ao post de hoje: "Amar é mudar a alma de casa". Precisa dizer mais alguma coisa? acredito que não né? A frase diz tudo e a identificação com a frase foi imediata. Realmente a frase de Mário é perfeita, assim como outras frases do poeta:

"Antes todos os caminhos iam,
agora todos os caminhos vêm.
A casa é acolhedora, e os livros poucos.
E eu mesmo preparo chá para os fantasmas"

"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer"

"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,enfim,tem de ser bem devagarinho,
Amada,que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."

Mario Quintana.
(1906 - 1994)

Do You Remember?

São Paulo, 31 de agosto de 2009, 05hs: 33m. Acordei no fim da madrugada com olhar triste, pensando em algumas coisas e me perguntando: Você se lembra? Já faz um tempo que ando ausente, estou seguindo um caminho estranho e diferente, mas estou sempre me lembrando de algumas coisas. A noite passada eu tive um sonho meio estranho, alias é incrível como os sonhos tem a capacidade de nos trazer uma saudade, um desejo, uma vontade de querer ver novamente algumas coisas que tentamos esquecer, mas será que você se lembra?
Ouvi algumas músicas legais esse final de semana e uma delas me chamou atenção, “Do you remember” do Phil Collins. Sabe aquele tipo de música que a gente ouve e já sai cantarolando pela casa, no chuveiro ou dentro de alguns ônibus. A tradução da música é perfeita, porque não sei se você sente como eu, mas existem músicas internacionais que a gente ouve e já sabe do que ela se trata. E eu aqui no meu quarto entre livros e discos fico me perguntando, será que você se lembra? Eu sei, tem coisas que a gente nunca pode tentar duas vezes, se não dá certo da primeira, perde a graça da segunda.

“Você sabe que as pessoas são esquisitas às vezes,
Porque eles não esperam se machucar de novo
Tem coisas que nós não vamos recordar,
E sentimentos que nunca iremos encontrar
Está demorando tanto para ver isso,
Porque nós nunca parecemos ter tempo
Tinha sempre algo mais importante para fazer,
Mais importante para falar
Mas "eu te amo" não era uma dessas coisas,
E agora é muito tarde
Você se lembra?”

A vida é tão rápida quanto um cometa, lembro-me dos conselhos do meu pai dizendo que a vida passa feito um tiro e eu não acreditava, achava que não era verdade, mas como sempre, meu pai tinha razão, a vida passa e vai deixando pra trás coisas que nunca mais conseguiremos recuperar. Mas existe uma forma de não perder tanto quando as coisas boas da vida passar, diga para quem está ao seu lado: “Eu te amo”.
Talvez lá na frente ela não se lembre daquele barzinho que vocês iam, daquela mesma mesa que vocês sentavam, daquela música que vocês mais gostavam, das conversas no telefone ou das vezes que ela não soube o que dizer quando estava com você. Mas pode ter certeza, ela vai se lembrar da vez que você disse que a amava. É simples dizer, pode ter certeza. Chegue um dia pra ela e pergunte:

Do you remember?



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Antigamente era melhor



Sinceramente eu tenho pena da geração "Anos 2000", uma juventude apática, acomodada e sem perspectiva nenhuma de futuro. O que aconteceu com nossos jovens? Eu não tenho as respostas, mas sei que eles não têm culpa nenhuma disso. Renato Russo já deixava o aviso no último disco da Legião em 1996, a letra de Aloha dizia:

“A juventude está sozinha, não há ninguém para ajudar”

E sozinha ela ficou, sem ajuda se tornou do jeito que ela é.

Antigamente era melhor, eu me lembro dos meus 15 anos (olha que nem faz tanto tempo assim). Acordava pela manhã, ligava o rádio e passava o dia todo ouvindo as músicas e anotando as promoções e os shows que iam rolar. Meu primeiro grande show de Rock foi no dia 14 de novembro de 1999, festa dos 14 anos da rádio rock de São Paulo, a “extinta” 89 Fm. Um grande tributo a Legião foi organizado e eu como grande fã não poderia faltar naquela festa. Bandas como: Titãs, Ultraje, Los Hermanos (no ínicio ainda), Raimundos, Charlie Brown, Paralamas, entre outros arrebentaram as expectativas de todos. Lembro-me da mãe do Renato Russo receber flores das mãos de Cássia Eller, e a cantora que tanto admirava o filho de Dona Carminha ainda emendou “Por Enquanto”, só na voz e no violão. Isso marcou a minha vida.
A 89 foi mais que uma rádio, ela foi aquele irmão mais velho que apresenta tudo que o rock tem de melhor. Quantas e quantas bandas eu não conheci através da rádio. Quantos e quantos shows a 89 promoveu e lá fui eu com a galera assistir. Era sinal de orgulho ter um adesivo da rádio colado no caderno ou na janela do carro, a 89 era a verdadeira rádio rock dos paulistanos. E os programas, você se lembra? Sobrinhos do Ataíde era o meu favorito: Peterson Foca (uhuuu foca é animal vó), 89 Live concert, Do balacobaco, Arquivo do Rock. Os especiais sobre artistas e bandas eram de primeira classe, mas infelizmente esse formato radiofônico está extinto das programações das Fms.
Eu tinha referência e hoje em dia o que temos? Nada. A juventude está entregue a rádios pop, sem conteúdo nenhum. Sim, sem conteúdo nenhum porque, nem a música de hoje em dia tem conteúdo. São poucas as bandas que se salvam. Sim gente, antigamente era melhor, não tenha dúvida. Só espero que daqui 10 anos os jovens de hoje não escreva textos dizendo: “Na minha época era melhor”

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Anyway


"Por que precipitaste teu fogo doloroso,
de repente,entre as folhas frias do meu caminho?
Quem te ensinou os passos que até mim te levaram?
Que flor, que pedra, que fumaça mostraram minha morada? "

Ah Pablo Neruda, porque escrevestes versos assim? Me joga de encontro com um ser que eu havia escondido dentro de mim. Eu que pensei muitas vezes que nada mais me deixaria tão abalado, mas bato de frente com teus versos e assim me deixa, cabisbaixo, frio e sem saber por onde recomeçar. Eu que pensei em recomeço, tenho que dar pontos finais nas histórias que inventei e outros escreveram. Ah sim um novo começo? mas tenho outra opção? Não né? Assim será, de novo eu começo aquela velha história que todos que conhecem já sabem o fim. Aconteceu uma, duas, três vezes e sinceramente eu não vou lhe mostrar. Não é pra entender leitor, esse texto é apenas para eu desabafar.

Cerveja, cigarro, pensamentos, tudo isso fode a mente de qualquer um. Prazer meu nome é instinto, eu escrevo sem pensar. Sentir é a única coisa que temos, amar é ter várias sensações iguais á que já tivemos. Eu saí ferido da conversa que tive, passei em uma livraria e gastei o que não devia em livros, um deles sem arrependimento: "Cem sonetos de amor - Pablo Neruda".

"Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te diretamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono."


É assim que amo, com tanta violência quando me desdém que fico louco só de pensar em amar outra vez. Essa frieza que vem dos olhos teus, essa racionalidade que me deixa furioso, pois raciocinar não combina com amar, apenas rima. Tuas mãos já ficaram entre meu peito e teus sonhos aquele dia 13 eram os meus. Mas era o meu sono e não o seu. Adormeci e quando acordei já estava longe de mim. Mas citando Chico Buarque: "Te perdôo por fazeres mil perguntas, que em vidas que andam juntas, ninguém faz. Te perdôo por pedires perdão, por me amares demais."

Se isso tudo fosse verdade.


Anyway.

domingo, 26 de julho de 2009

As Rosas de Deus.

Considerada uma banda do meio cristão, o Rosa de Saron á cada dia vem conquistando seu espaço nas rádios populares do Brasil. E quem disse que uma banda que canta músicas com louvores a Deus não pode chegar ao "Mainstream", pode, alias deve chegar. Muitos fãs da banda tem certo receio do Rosas virar uma banda "mundana", como dizem por ai, assim como o "Catedral", que saiu do meio gospel para tocar músicas populares. Queria dizer a esses fãs uma coisa: Uma banda firmada na verdade, com o coração firme nos seus propósitos não pode nunca fugir do destino que Deus lhe deu. Acho horrível esse termo "mundano" que muitos usam, no meu ver, a partir do momento que uma banda expressa uma música com mensagem em favor da verdade e do amor, não há porque ser visto como mundana. Quer exemplos de pessoas que fizeram da sua arte hinos de amor ao mundo: John Lennon, Elvis, Renato Russo, entre outros artistas que não me recordo agora, mas que fizeram algo em favor do amor e da paz. Lennon sempre lutou por essa paz, Elvis gravou discos gospel e Renato musicou os versos de Corintios capítulo 13. "Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria". Em "Se fiquei esperando meu amor passar" são citados os versos: "Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós". Enfim, bandas "mundanas" não são tão mundanas assim. Na minha opinião acho boa essa "quebra de barreiras" do Rosas de Saron, afinal as músicas são perfeitas, sua mensagem é de paz e reflexão e o Brasil hoje, precisa mais do que nunca de boas músicas. Tudo bem, dá um troço ver eles na Xuxa ou em qualquer outro canal e ver pessoas que nem sabe do propósito da banda e estão lá cantando. QUE BOM NÉ GENTE? Pelo menos estão do lado do bem, conhecendo uma face diferente de Deus. Às vezes quando gostamos muito de uma banda temos um certo ciúmes, porque agora todo mundo vai gostar e a gente queria só pra gente. Vai virar moda. GENTE, que bom que ás músicas de Deus virem moda, quem sabe assim todos nós possamos tomar algum tipo de juízo e pensar mais nas coisas da vida e nas pessoas que amamos. Não podemos esconder que "Eu preciso tanto de Você, O seu amor é o que me faz crescer. E conhece como a própria mão, cada medo do meu coração." Sim Deus conhece cada medo do nosso coração. E as letras do Rosa dizem isso, essa busca nossa pela paz.

"Vivi a procurar
Meu céu em qualquer lugar,
Em qualquer canto
Onde eu pudesse me jogar.
Estrelas a brilhar
No meu caminho, a iluminar.
Eu sei que sempre esteve a me esperar.
Eu sei que sempre foi meu Deus
Mas sei também
Que é o meu melhor amigo.
Eu sei que me perdi no tempo,
Mas sei que sou muito melhor contigo."
(Como eu te vejo)

Deixe que as coisas sigam seu caminho natural, não tente mudar os planos de Deus, primeiro que você não consegue, segundo que o sofrimento será inevitável. Não queira ver a sua vida igual a tudo que se vê, seja diferente, procure uma paz. Eu nunca pedi nada a Deus, sempre pedi FÉ, ele me deu isso, sei que, o que sinto hoje veio somente de Deus.

TENHA FÉ E ASSISTA OS DOIS VÍDEOS A SEGUIR.



terça-feira, 7 de julho de 2009

Onde ele quis chegar?

Sinceramente nem pensava em escrever algo sobre Michael Jackson, mas por ter uma obra tão perfeita, onde nenhum artista poderá chegar onde Michael Jackson chegou, eu me senti na obrigação de escrever algo sobre ele. Mas eis a pergunta que me faço: Onde ele quis chegar? Será que ele saberia responder a essa pergunta? Eu acho que não. Michael foi mais um artista que sofreu nas mãos dos invejosos, das pessoas que tinha intenções negativas e que conduziram mal sua carreira pública. Escandâlos, processos, acusações, cirurgias e outras tantas coisas abalaram a figura deste rapaz. Nem a figura de exemplo máximo ele tinha, seu pai era um porco capitalista, explorador, me dá raiva de ver os noticiários da TV e ver o pai da maior celebridade do século tentar tirar proveito da morte do filho. Mas ele se fudeu, desculpe o termo da palavra, Michael apesar de ser um bom homem, excluiu seu pai do testamento. Mas não quero escrever coisas negativas, quero te contar porque estou escrevendo algo sobre Michael. A causa está na canção "Heal The World".
Ao ouvir essa canção eu senti o Adeus de Michael e o seu recado no trecho que diz: "Cure o mundo, faça dele um lugar melhor". Agora com ele morto todos percebemos a importância que ele tem, ninguém prestou atenção nessa música, não a devida atenção, enquanto ele vivia, enquanto ele estava aqui do nosso lado. É preciso a morte para obter a santificação, é preciso a morte para sua música tocar em todas as festinhas de aniversário, nas principais baladas, nos churrascos e nas comemorações em campos de futebol. Foi preciso a morte para esse estúpido escrever algo em sua homenagem. Obrigado Michael por deixar essa canção que é uma obra prima, uma mensagem de Deus conduzida por um instrumento chamado Michael Jackson, para dizer que ele ainda se importa com todos. Lembrar que existe um lugar bom para se viver e esse lugar está dentro nós. Onde Michael quis chegar? não sei, mas se esta canção chegar onde deve, pode ter certeza, Deus vai dizer a você onde devemos chegar.
ACENDA UMA VELA PARA DEUS....E NUNCA ESQUEÇA DE TER FÉ.

ATÉ BREVE MICHAEL.

HEAL THE WORLD
(Michael Jackson)

Há um lugar em seu coração
E eu sei que ele é o amor
E nesse lugar pode ser
O mais brilhante amanhã
E se você realmente tentar
Você irá descobrir que não precisa chorar
Nesse lugar você irá sentir que não há mágoa ou tristeza
Há caminhos para chegar lá
Se você se importa muito com a vida
Crie um pequeno espaço
Crie um lugar melhor
Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana
Há pessoas morrendo
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim
Se você quer saber por que
Existe um amor que não pode mentir
O amor é forte
E só cuida das dádivas alegres
Se nós tentarmos, nós veremos
Nesta felicidade nós não sentimos
Medo ou receio
Paramos o existir e começamos a viver
Então sentimos que sempre
Bastante amor nos faz crescer
E o sonho que nós concebemos
Revelará um rosto alegre
E o mundo que uma vez nós acreditamos
Irá brilhar de novo em graça
Então por que nós sufocamos a vida ?
Ferimos esta Terra, crucificamos sua alma
Mas é claro ver...
Que este mundo é divino
É a luz de Deus
Nós podemos voar tão alto
Nunca deixar nossas almas morrerem
Em meu coração eu sinto vocês todos meus irmãos
Crie um mundo sem medos
Juntos nós choraremos lágrimas de alegria
Veja as nações transformarem suas espadas em arados
Nós poderíamos realmente conseguir
Se você se importa muito com a vida
Crie um pequeno espaço
Crie um lugar melhor
Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
Se você se importa muito com a vida
Faça um lugar melhor
Para você e para mim

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Quanto tempo será que demora?


Os anos 80 realmente foi a década das grandes bandas, sou suspeito para escrever algo, pois simplismente tenho influência de todas as bandas que fizeram desta década a melhor do rock brasileiro. No livro de Arthur Dapieve "BRock" o autor divide o Rock Brasil em três partes: A elite com Legião, Paralamas, RPM, Titãs, Blitz, Barão e Ultraje. A segunda divisão com Capital Inicial, Inocentes, Camisa de Vênus, Plebe Rude. E uma terceira com bandas de um sucesso só. No meio de tantas bandas e algumas divisões está o Biquini Cavadão, banda carioca que lançou seu primeiro disco em 1986 chamado "Cidades em torrentes", nome retirado da letra da música "Múmias" que contou com a participação especial de Renato Russo.
Muita coisa rolou nesses 20 anos de carreira do grupo, sucessos e mais sucessos, entre eles: Tédio, Múmias, No mundo da lua, Zé Ninguém, Impossível, Vento Ventania, Janaina entre outras músicas. Particulamente gosto de várias canções. Ultimamente as novas composições do grupo estão tendo um significado especial pra mim, como as canções "Em algum lugar do tempo" ou "Quando eu te encontrar":

"Eu já sei o que meus olhos vão querer
Quando eu te encontrar
Impedidos de te ver
Vão querer chorar
Um riso incontido
Perdido em algum lugar
Felicidade que transborda
parece não querer parar
Nunca me disseram o que devo fazer
Quando a saudade acorda
A beleza que faz sofrer
Nunca me disseram como devo proceder
Chorar, beijar, te abraçar, é isso que quero fazer
(Quando Eu te Encontrar)"

Essa canção é uma das mais belas da banda, mas atualmente "Quanto tempo será que demora" pode ser a trilha sonora da minha vida no atual momento. Assim como diz a letra da música, esses dias eu acordei com a lembrança do seu rosto e me perguntando: Quanto tempo será que demora um mês pra passar?" Ora a resposta pode ser lógica: apenas um mês? 30 dias? 4 semanas? enfim, como você determinar, o tempo pode passar do jeito que você quiser. Mesmo assim, quando se sente a falta de alguém importante, esse mês pode durar um pouco mais. Na tentativa de distração, tentamos pensar em outras coisas:

"A vida inteira de um inseto,
Um embrião pra virar feto.
A folha do calendário,
O trabalho pra ganhar o salário".

E tentamos, pensamos em várias coisas. Eu particulamente já pensei em tantas que achei que o tempo havia disparado, mas quando dei por mim, havia se passado apenas três dias, então volto para a música novamente "Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão". Será mesmo que vai levar um tempão? Como eu queria aquela música do Kid Abelha:

Com você o tempo pára
Sem você o tempo voa
Sem você eu perco tempo
Com você me sinto imortal
(No Seu Lugar)

Seria tão mais fácil se o tempo voasse sem você. Eu espero que ele voe e quando você voltar, espero que ele pare. Recorro aos versos de Fernando Pessoa: "Vou atirar uma bomba no destino" assim que você estiver de volta, mas enquanto isso, eu espero o mês passar e passo com ele. Daqui pro final de Julho, todos os dias passam a ser meus.