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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Tratamento Paralâmico.

Há tempos não escrevo nada aqui no blog "Por Aí", a falta de tempo anda grande e além disso, algumas pessoas sabem que meu pai não está bem de saúde. Rui Avelino, meu pai, tem um câncer no pâncreas e dificilmente voltará a ter uma vida normal como ele tinha. Certas preocupações terão de ser tomadas. Realmente as coisas não estão das melhores.
Na última quarta-feira, 28 de abril, visitei meu pai na UTI do hospital da USP, após uma cirurgia de desobstrução da bilis, infelizmente, não foi retirado o tumor que existe em seu organismo.
Ao lado do leito, conversavamos eu, minha irmã Márcia e meu pai, deitado, com dores e totalmente lúcido. Até que no meio da conversa, meu pai revela um sonho que teve:

"Sonhei essa noite que eu tinha morrido e que do outro lado da vida eu encontrava aquela banda que você gosta Rogério, Os Paralamas do Sucesso. Sonhei que eles tocavam músicas pra mim e que nos divertiamos muito. E eles tocaram uma música muito legal, mas que não lembro agora qual é. "

Nesse tempo, minha irmã cantou duas canções da banda, na terceira ela acertou, era "Alagados" do disco "Selvagem?" de 1986. A parte "Mas a arte é de viver da fé, só não se sabe fé em quê" marcaram essa parte do sonho de meu pai.

Eu particularmente fiquei surpreso, pois, meu pai mal sabe quem são Os Paralamas do Sucesso, muito menos sabe uma ou duas músicas da banda. Ele tem 68 anos, e sempre ouviu músicas antigas de 1960 á 1980. Minha vontade foi de chorar quando ele me disse isso, pois, um senhor da idade e no momento que passa sonhar com algo do tipo, realmente é coisa de outro mundo.

Quando conversei com ele, por causa da música "Alagados", ele ficou bem mais animado, sua fisionomia mudou e isso menos de 24 horas depois de ter passado por uma cirurgia que na qual, poderia ter tirado sua vida.

Saindo do hospital, ele me disse que gostaria de ouvir novamente essa música, pois lhe fazia muito bem a canção. Cheguei a conclusão que os mentores espirituais de Herbert Vianna estão por todos os lugares, até mesmo perto de meu pai. Herbert é um cara cheio de luz, suas letras transmitem uma coisa diferente, de melhora, de evolução na vida da pessoa.

"Pois a arte é de viver da fé". Fé essa que meu pai tem de sobra e eu tento ter em dobro pois, ele me ensinou a ter a fé que tenho. Meu pai, obrigado por tudo nessa vida, você foi o melhor pai que já existiu, pois me ensinou a ter a coisa mais linda que um pai pode ensinar ao filho: FÉ

domingo, 14 de dezembro de 2008

Gênio Injustiçado?


Sempre que falamos do Rock Brasileiro dos anos 80, os primeiros nomes a surgir são sempre de Renato Russo, Cazuza, Arnaldo Antunes, Humberto Gessinger e Júlio Barroso. Esses considerados como poetas da geração dos anos 80. Não veja amigo leitor, esse texto como protesto, mas sim, como um reconhecimento ao grande artista, letrista e músico.
Justiça sempre foi feita em relação a banda, considerada como uma das melhores do nosso rock, mas quanto ao letrista, Herbert Viana sempre foi deixado meio que de lado pela crítica musical e outros veículos, pelo menos ao meu ver. Mas os fãs paralamicos e os ouvidos de bom gosto, sempre notaram a genialidade poética de Herbert, letras fortes, diretas e somadas a harmonia da banda, faz dos Paralamas uma das maiores bandas do Brasil.
Cito aqui minhas letras favoritas de Herbert, confesso que muitas delas falam de amor como “Caleidoscópio”, “Essa tarde”, “Tendo a Lua”, “O que eu não disse”, “Meu Erro”, “De Perto”, “Seguindo Estrelas”, “Viernes 3 Am”, “Um Dia em Provença”, “Sempre te quis” entre tantas outras que não consigo citar aqui, pois tomaria muito espaço.
Os versos de algumas músicas são de arrepiar qualquer ouvinte, como “Quase um Segundo” do disco Bora-Bora de 1988: “Eu queria ver no escuro do mundo, onde está tudo que você quer. pra me transformar no que te agrada, no que me faça ver”

“Lanterna dos Afogados” dos disco Big Bang de 1989: “Quando ta escuro e ninguém te ouve, quando chega a noite e você pode chorar. Há uma luz no túnel dos desesperados, há um cais de porto pra quem precisa chegar.”

“Alagados” do disco Selvagem? De 1986:“Todo dia, o sol da manhã vem e nos desafia. Trás do sonho pro mundo quem já não queria”

A trajetória de Herbert teve mais altos do que baixos, o início dos anos 90, em geral, não foi bom para nenhuma das bandas do rock nacional. Com a crise, o sertanejo e o pagode em alta, o rock foi colocado de lado e dado como falido. Mesmo assim “Os Grãos” de 1991 foi um disco clássico, assim como o “V” da Legião Urbana. Em minha opinião, dois discos que fizeram o rock dos anos 80 respirarem.
Graças ao bom Deus, os Paralamas conseguiram ser reconhecidos pela MTV e pelo seu público nos primeiros anos do VMB (Vídeo Music Brasil), ganhando os principais prêmios da emissora nos anos de 95, 96, 97, 98. Hoje sabemos que a MTV e seu VMB não passam do “mais do mesmo”, reconhecendo os artistas da moda e não prezando pelo trabalho artístico.

Tantas canções, tantas letras fantásticas e tantas vezes esqueceram esse poeta, se assim posso dizer, nas citações de alguns livros e reportagens sobre o nosso rock. Considero Herbert como um dos maiores letrista tanto da geração 80 como dá música popular brasileira. Injustiçado? acredito que não, Herbert não precisa de maiores citações, seu legado está mais do que bem feito na sua obra.