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segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Último Suspiro De Um Anjo (mesmo se nada der certo)


Percebi que a vida é feita "previsão do tempo", existem os dias de sol, os dias de chuva, os dias nublados e os dias em que no mesmo dia tudo acontece e você não pode prever nada. Os dias de sol eu aproveito, os dias nublados eu tiro fotos em preto e branco, mas os dias de chuva eu observo pela janela do quarto, esperando que os anjos parem de chorar. Talvez você faça o mesmo, talvez você não queira sorrir nos dias de chuva. Talvez você não precise dançar tão triste, não precise aceitar o que os outros dizem. Talvez você nem me queira por perto.
As flores do seu quarto não são as mesma né? Eu queria que elas durassem até a próxima primavera, para que todo dia ao acordar você tivesse um motivo para sorrir. Mas uma vida nunca é infinita, assim como nenhum sentimento, nenhum amor. Tudo tem sua hora e os anjos são implacáveis em tomar de volta o que lhes pertence. 
O que te pertence?
O que me pertence?
O que pertence a nós?
O que pertence aos anjos?
A você pertence todos os mistérios, todas as memórias e todos os sorrisos e olhares (aqueles olhares que só você sabe fazer).
A mim pertence todas as canções (Lembra que fui eu, não esquece que fui eu, que te amou demais desde o dia em que te conheceu. Admite, eu sei, que também sente falta - Jorge e Mateus) ou então (Prometo que eu não vou ser mais o cara que te enganou. Confia em mim deixa eu te mostrar meu amor quem eu sou - Henrique e Juliano) A mim pertence ainda as lembranças dos olhares.
A nós pertence o dia que nos conhecemos, o livre arbítrio e as risadas do Ronnie.
Aos anjos pertence o último suspiro de ter tentado, mesmo sem a garantia de algo ter dado certo. 
Só ficou razões, e entre as razões, acho que você esteve certa o tempo todo, o vento pode ter ouvidos. Alias, acredito hoje que o vento leva nossos pensamentos aos anjos. Que façam bom proveito dos meus pensamentos, mas que eles te entreguem apenas meus melhores sentimentos e uma dose de sinceridade. Eu tentei ser um sonho bom, mas talvez seja a hora de voltar pra casa. 

Tell me if you wanna go home
('Cause I'm just not sure)
Tell me if I'm back on my own
(How to get back there)
Giving back a heart that's on loan
(And I just can't bear)
Tell me if you wanna go home
(If you're not there)

Keira Knightley - Tell me if you wanna go home


sábado, 17 de janeiro de 2009

É preciso ser metido e arrogante, assim como eu


Confesso a você que nunca fui muito fã de Heavy Metal, muito menos das bandas performáticas. Mas existe uma banda que me chama muito atenção, tanto pelas músicas, pela postura de palco e pela postura fora do palco. Essa banda se chama Kiss.
Gene Simmons, baixista da banda e empresário de tantas outras coisas, em entrevista a Rolling Stones Brasil me surpreendeu com algumas frases. Achei interessante o modo como ele lida com seu trabalho e acima de tudo, não tem “papas na língua”.

“O último ídolo de verdade foi o Kurt Cobain”

Alice Cooper também acha que a última grande banda foi o Nirvana

“Muitas bandas novas são boas, mas nenhuma está escrevendo clássicos. A última banda a escrever clássicos foi o Nirvana.

Radical o rapazes? Nos tempos de hoje, acho que eles disseram pouco, tem tanta coisa pra falar sobre os novos ídolos, existem os novos ídolos? Eu acredito que não. Os velhos continuam como bons vinhos, quanto mais tempo, melhor ele fica. E Gene Simmons continua:

“Falta atitude, existe algo na música chamado carisma. Sem carisma você não é nada no Rock, a música de hoje não produz mais ídolos...É preciso agir sem medo, subir ao palco e mostrar a que veio, e não ter medo de nada. Eles precisam ser mais metidos e arrogantes, ser mais como eu.

Depoimentos a parte, no mundo do Rock, Gene está certo, é preciso mais atitude no Rock, mais amor a música e mais foda-se as críticas e fãs que tentam opinar sobre o futuro da banda. Muitos criticam o jeito que tal banda mudou o modo que tal banda agora se veste, que besteira, mas esse tema fica pra próxima.
Assim como eles, ultimamente prefiro ser metido à arrogante mesmo a deixar pessoas enfiar o dedo na minha cara. Tudo bem, não sou um Rockstar, muito menos tenho dinheiro, mas a pose de Rockeiro isso eu tenho o direito de ter.
Fonte: Revista Rolling Stone (Edição 28)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O Fôlego do Rock


Ainda me lembro à última vez que alguma banda causou impacto para mim, foi em meados de 2001, quando os Strokes lançaram o disco “Is this It”. O Disco foi um uma injeção de animo em um Rock que andava meio capenga das pernas, diziam as más línguas que o Rock estava com seus dias contados.
Esse ano não houve grandes novidades, as mesmas coisas de sempre, a imprensa musical babando ovo de bandas nem tão geniais assim. Acredito eu, que gostar de bandas não tão geniais é a válvula de escape para fugir de certos modismos. Sabe aquela coisa de “não gostar do que todo mundo gosta” e descer e lenha nas bandas em ascensão,
pois é, viva a crítica musical e seus gostos malucos.
No meio do tiroteio, uma banda se destaca por andar no meio termo, The Kooks sem sombra de dúvidas, chegou ao mainstream agradando aos que gostam das bandas da moda, aos que não simpatizam tanto assim. Muitos consideram o som da banda como “Indi Rock”, mas os próprios integrantes consideram as músicas do Kooks como “Britpop”. Rótulos a parte, o rock dos rapazes do Reino Unido é a nova injeção de ânimo no cenário musical.
Formada por Luke Pritchard (Violão e Voz), Max Rafferty (Baixo), Hugh Harris (Guitarrista) e Paul Garred (bateria) formaram a banda em 2004, quando ainda eram estudantes. O nome The Kooks vem da canção “Kooks” de David Bowie, do álbum de 1971 Hunk Dory.
Com músicas contagiantes, o The kooks faz um rock dançante, flertam com o Folk e certas canções como “Got no Love” lembram outra banda britânica formada em 1979, o The Cure. Mas o que mais contagia nos rapazes são canções como “Naive”, “You Don’t Love me” e “Sofá song”. Mas está na canção “She Moves In Her Own Way” o tiro certeiro no alvo, uma balada dançante, introdução com violão seguida por um solo de guitarra e versos como:

“Eu estava contando que algum dia
No seu caminho estariam coisas melhores
Não é sobre sua maquiagem
Ou como você tenta ficar em boa forma
Esses são cansativos sonhos de papel
Sonhos de papel, querida”

Há tempo não ouvia algo tão estimulante como isso, uma música que dá vontade de sair pulando pela sala sem pensar no que os vizinhos vão achar. Eu acho que só tive a mesma vontade quando ouvi “ask” dos Smiths, sem comparações é claro, mas estimulante como eles.

Curioso? Acesse o link abaixo e ouça essa canção, vale a pena.



domingo, 14 de dezembro de 2008

Gênio Injustiçado?


Sempre que falamos do Rock Brasileiro dos anos 80, os primeiros nomes a surgir são sempre de Renato Russo, Cazuza, Arnaldo Antunes, Humberto Gessinger e Júlio Barroso. Esses considerados como poetas da geração dos anos 80. Não veja amigo leitor, esse texto como protesto, mas sim, como um reconhecimento ao grande artista, letrista e músico.
Justiça sempre foi feita em relação a banda, considerada como uma das melhores do nosso rock, mas quanto ao letrista, Herbert Viana sempre foi deixado meio que de lado pela crítica musical e outros veículos, pelo menos ao meu ver. Mas os fãs paralamicos e os ouvidos de bom gosto, sempre notaram a genialidade poética de Herbert, letras fortes, diretas e somadas a harmonia da banda, faz dos Paralamas uma das maiores bandas do Brasil.
Cito aqui minhas letras favoritas de Herbert, confesso que muitas delas falam de amor como “Caleidoscópio”, “Essa tarde”, “Tendo a Lua”, “O que eu não disse”, “Meu Erro”, “De Perto”, “Seguindo Estrelas”, “Viernes 3 Am”, “Um Dia em Provença”, “Sempre te quis” entre tantas outras que não consigo citar aqui, pois tomaria muito espaço.
Os versos de algumas músicas são de arrepiar qualquer ouvinte, como “Quase um Segundo” do disco Bora-Bora de 1988: “Eu queria ver no escuro do mundo, onde está tudo que você quer. pra me transformar no que te agrada, no que me faça ver”

“Lanterna dos Afogados” dos disco Big Bang de 1989: “Quando ta escuro e ninguém te ouve, quando chega a noite e você pode chorar. Há uma luz no túnel dos desesperados, há um cais de porto pra quem precisa chegar.”

“Alagados” do disco Selvagem? De 1986:“Todo dia, o sol da manhã vem e nos desafia. Trás do sonho pro mundo quem já não queria”

A trajetória de Herbert teve mais altos do que baixos, o início dos anos 90, em geral, não foi bom para nenhuma das bandas do rock nacional. Com a crise, o sertanejo e o pagode em alta, o rock foi colocado de lado e dado como falido. Mesmo assim “Os Grãos” de 1991 foi um disco clássico, assim como o “V” da Legião Urbana. Em minha opinião, dois discos que fizeram o rock dos anos 80 respirarem.
Graças ao bom Deus, os Paralamas conseguiram ser reconhecidos pela MTV e pelo seu público nos primeiros anos do VMB (Vídeo Music Brasil), ganhando os principais prêmios da emissora nos anos de 95, 96, 97, 98. Hoje sabemos que a MTV e seu VMB não passam do “mais do mesmo”, reconhecendo os artistas da moda e não prezando pelo trabalho artístico.

Tantas canções, tantas letras fantásticas e tantas vezes esqueceram esse poeta, se assim posso dizer, nas citações de alguns livros e reportagens sobre o nosso rock. Considero Herbert como um dos maiores letrista tanto da geração 80 como dá música popular brasileira. Injustiçado? acredito que não, Herbert não precisa de maiores citações, seu legado está mais do que bem feito na sua obra.






sábado, 13 de dezembro de 2008

“Atraídos por aqueles que não temem”


“Oh, you are in my blood like holy wine, You taste so bitter and so sweet”

Esses versos são de uma cantora que nasceu em Fort MacLeod no Canadá, em Sete de Novembro de 1943. Seu nome? Roberta Joan Anderson, ou mais conhecida como Joni Mitchell.
Desde pequena percebeu que tinha dom para música, talento para compor e cantar. Com uma voz que alcança uma extensão vocal de duas oitavas e meia, Mitchell quebra corações.
Impossível ouvir uma canção como “A Case of you” e não lembrar alguém que tanto gosta, daquela pessoa que, por algum motivo, saiu da sua vida e você está assim como “uma pintora solitária que vive em um pote de tintas sendo apavorada pelo Diabo”. Mitchell exprime o mais belo sentimento humano em cada linha, cada verso, cada som de sua música.
A cada acorde, um corte que corre sangue da alma e você sente saudade daquele dia que teve vontade de jogar uma bomba ao destino e parar por um momento o tempo. A minha velha camisa do Nietzsche lhe fez companhia aquela noite, a minha antiga ansiedade deu lugar a coisas que não sentia há muito tempo. A bomba atirada, o tempo parado.
O álbum “Blue” da cantora é recheado de poesia, sofrimento e solidão. Lançado em 1971, o disco é considerado um clássico do estilo Folk, canções como “Califórnia”, “Carey” e “The Last Times I Saw Richard” criam o clima que seu tempo pede, Mitchell escreve seu nome na história da

música.
Gosto de ouvir esse disco em noites de chuva, ou no domingo pela manhã. Ambos os momentos são de extrema pureza, acordamos ou deixamos com que a chuva purifique nossa mente, nesses momentos, estamos vulneráveis a lembranças boas, mesmo que elas tenham durado tão pouco, mas existiram.
Caso você tenha boas lembranças como eu tenho, como a velha camisa do Nietzsche, preocupações com escalas, aeroportos, cidades e nunca saber onde ela esta, ouça “A Case Of You”, é de arrepiar ao ouvir esses versos:

“Pouco antes de nosso amor se perder você disse
Sou tão constante quanto uma estrela do norte
E eu disse, sempre na escuridão
Onde isso vai levar?
Se você me quiser, eu estarei no bar

E eu sou atraído por aqueles que não temem.
Eu lembro da época que você me dizia
Amor é tocar almas.
Seguramente você tocou a minha,
Pois parte de você flui de mim
De vez em quando, nestas linhas”

Assista ao vídeo da música