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sábado, 7 de março de 2009

A gente somos Inútil

Cazuza já cantava “Brasil mostra tua cara, quero ver quem paga
pra gente ficar assim.” Meu caríssimo poeta, se todos brasileiros mostrasse a cara estaríamos fudidos. Na semana passada aconteceu um grande protesto na faculdade onde estudo, gente gritando “sai da sala”, e eu lá no fundo me perguntando: “Mas tem motivo real pra sair da sala ou será apenas uma bagunça de estudantes?”
Realmente, havia um motivo para aquela manifestação estudantil, liderada com tanto afinco pelos jovens estudantes. De repente um deles adentra a sala e diz:
“A gente não tem uma carteirinha decente para pagar meia no cinema, isso aqui é uma vergonha.” Pronto! agora sim, me senti um estudante de verdade, vivendo na injustiça dos tempos da ditadura militar, protestos por causa disso? Não faz muito tempo que saímos do governo militar, onde jovens protestavam e perdia a vida por motivos reais, lutando por um país mais justo, democrático. Democracia? ela veio, em 1985 e olha o que fizeram com ela, manifestação por causa de carteirinha de faculdade para pagar meia no cinema, eu só posso estar sonhando.
Essa frase do estudante me lembrou a música “Inútil” da banda paulistana Ultraje a Rigor, liderada pelo cantor Roger Moreira. A canção foi inspirada em vários fatos, em uma concordância peculiar de um pedreiro rendeu o refrão “a gente somos inútil”, a polêmica frase do maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé, onde o mesmo dizia que o brasileiro não sabia votar, rendeu o primeiro verso: “A gente não sabemos escolher presidente”. O verso “a gente joga bola e não consegue ganhar” veio da decepção da seleção brasileira na copa de 82. “Daí em diante foi só preparar uma lista de frustrações” diz o vocalista.
O riff da canção é tão marcante como “Satisfaction” dos Rolling Stones e a música em si foi marcante para toda uma geração, que vivia, há tempos, em um Brasil injusto (e ainda vive é sempre bom lembrar). A música “Inútil” serviu para muitos na época da democratização brasileira. Osmar Santos foi mestre de cerimônias do primeiro comício para as diretas já e tocou a música para quase 10 mil pessoas em São Paulo. Ulisses Guimarães em resposta ao comentário de Carlos Átila, porta voz do então presidente na época, João Figueiredo, disse que mandaria uma cópia da música para que ele “tocasse e ficasse ouvindo”. Em São Paulo, mais de um milhão de pessoas participavam da manifestação ao som de “Coração de Estudante” de Milton Nascimento, que era hino da campanha “Diretas Já”. Roger discorda: “Era “inútil” que deveria tocar, mas na prática “Inútil” incomodava...Temos mania de colocar a culpa nos políticos mas a música diz que a coisa dependia do povo”
Concordo plenamente com isso, tudo nesse país depende de nós. Nosso povo tem mania de colocar a culpa em todos e em tudo, deve ser mania de Brasileiro, arrumar um culpado pra tudo. O Brasil é tão injusto que o povo vestiu a camisa da injustiça, fez da mesma seu slogan e pra tudo ele se sente lesado. Se alagar o bairro a culpa é do prefeito e não da dona de casa que, com seu marido, jogou aquele sofá antigo no córrego. A culpa é sempre dos outros, Brasileiro tem mania de ser injustiçado, é o filho mimado do planeta, que reclama do que não tem, destrói o que tem e faz pouco caso do que ganha. Infelizmente Roger, a gente somos inútil.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Acreditamos na distância entre nós

Vai ser difícil escrever esse texto, há tempos ando ensaiando para falar desta banda formada em Brasília no começo dos anos 80. Conheci o Capital Inicial por volta de 1997, consegui uma coletânea na época com seus maiores sucessos e não parei mais de acompanhar a banda.
Em 1998 rumores sobre uma possível volta rolavam nas revistas da época e nas rádios. Na madrugada de um dia qualquer, ouvi na Brasil 2000 que a banda estava em estúdio gravando o novo disco. Finalmente, após o fim da Legião Urbana, eu poderia ver ao vivo uma banda de Brasília em ação. Procurávamos independência dos sons que rolavam na época.
“Atrás dos Olhos” chega às lojas, com boas críticas, um belo vídeo clip na MTV de “O Mundo” e um mais belo de “Eu Vou Estar”. A banda não explodiu, mas chegou reconquistando seu espaço. Lembro da entrevista a Showbizz em que Dinho empunhava a bandeira da geração do Rock de Brasília, amparando fãs da extinta Plebe Rude e da saudosa Legião Urbana. Confesso a você que Dinho Ouro Preto era como um novo “salvador” do rock candango, ele não estava ali para ocupar o lugar de Renato Russo, mas aliviava a saudade que fãs da Legião sentiam. Sonhávamos novamente com novos tempos.
Encontrei Dinho na coletiva do acústico da Legião no SESC Pompéia, conversamos bastante, 40 minutos aproximadamente, um bom papo tivemos, falamos sobre seu último trabalho, sobre a Legião e sobre o rock brasileiro. Sai de lá convicto que o Capital voltaria com tudo. E voltou.
O Acústico MTV jogou o Capital aos leões como resumiria Dinho a MTV, de repente eles eram a maior banda do Brasil. Os shows lotados, as músicas na boca dos jovens, tietes, tietes, tietes, tietes. O Capital já não era a “minha banda” agora era a banda de todos. As novas fãs não sabiam cantar uma música antiga e o divisor de águas foi dado ao Capital sem querer querendo. Fãs antigos e novos fãs disputavam atenção da banda. Virou “A.C acústico / D.C Acústico.”
Depois do acústico, ser fã da banda era defender o som dos caras. Muitos criticavam o Capital, diziam que a banda era a mais nova moda, muita pose e pouco som. Que antigamente era melhor. Concordava em partes, mas via muita garra, muita energia e muita evolução no Capital. Então veio a primeira pedrada na janela. Loro Jones, guitarrista da banda desde o começo, deixava o grupo sobre boatos que a banda teria se vendido. O disco pós-acústico teria que provar o contrário, que o Capital era uma banda de Rock, mas o disco veio mais pop. Muitas baladas, letras juvenis e muitos reclamando a falta de Loro Jones. Particularmente gostei do disco, “Rosas e Vinho Tinto” trazia um Capital Inicial diferente, mas onde na sua trajetória o Capital foi uma banda de Rock? Talvez músicas como “Veraneio Vascaína”, “Música Urbana”, “Independência” e “Fátima” davam essa conotação a banda, mas ouvindo sua discografia, “Atrás dos Olhos” foi o mais pesado dos caras até então.
O disco Seguinte, “Gigante” era cópia do anterior, com menos qualidade e em 2005 a banda faz uma releitura das músicas do Aborto Elétrico, primeira banda dos irmãos Fe e Flávio, ambos do Capital, com Renato Russo. Punk Rock na veia, sem descanso, sem pausas para respirar e se alguém duvidava da verve punk ou rockeira do Capital, teria que fazer um novo tratado sobre a banda.
Mas o fraco “Eu nunca disse adeus” foi um prato cheio para os antigos fãs, que já não davam tanta atenção a banda e diziam: “Capital? Melhor não comentar.” Em 2008 a banda lança seu primeiro disco “Ao Vivo”, gravado em Brasília, um milhão de pessoas, mega produção e decepção.
Um show mediano, com bastante energia às vezes, mas muito ensaiado, ou mal ensaiado. A impressão que tive ao assistir foi: Quantas vezes essas meninas não ensaiaram para subir nesse palco? Quantas vezes o Dinho não ensaiou essa corrida de ponta a ponta? Esses gritos, essas invasões e garotas tentando agarrar o vocalista. Uma delas até se preocupa em baixar a saia quando um segurança a agarra pelas costas, saindo sorrindo como se participasse de um programa de calouros.
Resumindo, nota 4 para o disco ao vivo e nota 9 para a discografia Capitalista.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Gênio Injustiçado?


Sempre que falamos do Rock Brasileiro dos anos 80, os primeiros nomes a surgir são sempre de Renato Russo, Cazuza, Arnaldo Antunes, Humberto Gessinger e Júlio Barroso. Esses considerados como poetas da geração dos anos 80. Não veja amigo leitor, esse texto como protesto, mas sim, como um reconhecimento ao grande artista, letrista e músico.
Justiça sempre foi feita em relação a banda, considerada como uma das melhores do nosso rock, mas quanto ao letrista, Herbert Viana sempre foi deixado meio que de lado pela crítica musical e outros veículos, pelo menos ao meu ver. Mas os fãs paralamicos e os ouvidos de bom gosto, sempre notaram a genialidade poética de Herbert, letras fortes, diretas e somadas a harmonia da banda, faz dos Paralamas uma das maiores bandas do Brasil.
Cito aqui minhas letras favoritas de Herbert, confesso que muitas delas falam de amor como “Caleidoscópio”, “Essa tarde”, “Tendo a Lua”, “O que eu não disse”, “Meu Erro”, “De Perto”, “Seguindo Estrelas”, “Viernes 3 Am”, “Um Dia em Provença”, “Sempre te quis” entre tantas outras que não consigo citar aqui, pois tomaria muito espaço.
Os versos de algumas músicas são de arrepiar qualquer ouvinte, como “Quase um Segundo” do disco Bora-Bora de 1988: “Eu queria ver no escuro do mundo, onde está tudo que você quer. pra me transformar no que te agrada, no que me faça ver”

“Lanterna dos Afogados” dos disco Big Bang de 1989: “Quando ta escuro e ninguém te ouve, quando chega a noite e você pode chorar. Há uma luz no túnel dos desesperados, há um cais de porto pra quem precisa chegar.”

“Alagados” do disco Selvagem? De 1986:“Todo dia, o sol da manhã vem e nos desafia. Trás do sonho pro mundo quem já não queria”

A trajetória de Herbert teve mais altos do que baixos, o início dos anos 90, em geral, não foi bom para nenhuma das bandas do rock nacional. Com a crise, o sertanejo e o pagode em alta, o rock foi colocado de lado e dado como falido. Mesmo assim “Os Grãos” de 1991 foi um disco clássico, assim como o “V” da Legião Urbana. Em minha opinião, dois discos que fizeram o rock dos anos 80 respirarem.
Graças ao bom Deus, os Paralamas conseguiram ser reconhecidos pela MTV e pelo seu público nos primeiros anos do VMB (Vídeo Music Brasil), ganhando os principais prêmios da emissora nos anos de 95, 96, 97, 98. Hoje sabemos que a MTV e seu VMB não passam do “mais do mesmo”, reconhecendo os artistas da moda e não prezando pelo trabalho artístico.

Tantas canções, tantas letras fantásticas e tantas vezes esqueceram esse poeta, se assim posso dizer, nas citações de alguns livros e reportagens sobre o nosso rock. Considero Herbert como um dos maiores letrista tanto da geração 80 como dá música popular brasileira. Injustiçado? acredito que não, Herbert não precisa de maiores citações, seu legado está mais do que bem feito na sua obra.